Pois é, queridos.
Faz dois meses que a gente se mudou. Não vou mentir que sentia uma pontinha de medo. Mas como a vida é linda, por essas e tantas outras coisas, o medo, assim como tudo mais que foi preciso superar até então, ficou para trás.
Devia esse post aos amigos, que torceram e vibraram tanto. Aqueles que viram tudo ao vivo e aqueles que estão morando longe, mas que, nem por isso, caíram no meu esquecimento. Ainda falta deixar algumas coisas como eu quero e sei que sempre vai faltar. Só que o amor, que é o mais importante e difícil de achar, está em cada cantinho da casa. Ser feliz é isso, não? E a gente está. Muito.

Sejam bem-vindos. Na entrada é uma chapelaria. O chapéu veio de Londres, o rádio da Rua do Lavradio, no Rio, e a mesinha da Rua da Conceição. Ali é uma radiola de ficha, presente do tio de Serginho, que está cheia de compactos bacanas. Todos comprados, ganhos ou cedidos pelos amigos. E ela funciona que é uma beleza.

Do lado direito de quem entra fica o cantinho dos amigos. E que, por causa deles, virou uma cozinha americana. Já que eu não sei cozinhar, pelo menos posso ficar tentando enquanto eles me fazem companhia. Eles e os livros do Jamie Oliver. No bar, perto dos vinhos, um sapatinho holandês, fotos de amor e um narguilê, que foi inaugurado várias vezes, inclusive. No balcão, uma placa da Guinness, porque nessa casa se respeita quem é de respeito.

A mesa de jantar é pequenina, mas tem lugar pra rapaziada tudinho. Os quadrinhos art nouveau vieram do Quartier Latin. As cadeiras e a família de retirantes vieram do antigo apartamento da comadre Flavinha. O porta-guardanapos e o porta-canudos, do meu ex-apartamento com minhas sempre amadas Má e Ivis. Descendo a parede que nem calango são fotos, que é um negócio que eu adoro mesmo.

A varanda tem uma vista, lááááááá longe, do Capibão. E das casinhas fofas que me matam de inveja na Torre.

Preferências do casal, de cima para baixo: Robertão, o mestre Dylan, os meninos da Califórnia, a deusa Billie, os caras-mais-xoxantes-da-alemanha e os amigos do escuro. Beatles, David, Neil, Velvet, Harrison e tantos outros também vão ter lugar, claro. É só uma questão de rodízio. No canto do rack, um passa-discos-de-lei. E ele vem acompanhado de mais de 200 discos que não aparecem nessa foto, mas embalam festinhas mis aqui em casa.

O que era um quarto de serviço virou um escritório, com direito a uma máquina de escrever, dos meus tempos de colégio, e um poster do show do Harrison, um pouquinho mais antigo que isso. Mas para mostrar que a dona da casa não é tão coroa quanto os seus móveis, aqui tem miniaturas de desenhos. A cristaleira, que virou biblioteca, um xodó da que vos fala, também foi da casa de Flavinha. Só coisas de gente amada, que é para encher o apê de boas energias.

Olha ela aí mais de pertinho no maior par-ou-ímpar com o Play Station.

Essa caixinha obra de arte foi um presente do maguinho da época que eu morava no Rio.

Esse quarto, além de acomodar os hóspedes que preferem um bom colchão ao invés de uma boa blitz em dias de manguaça, também guarda os instrumentos do maguinho. A escrivaninha é uma das minhas paixões na casa e veio da Rua do Lavradio.

O quartinho do casal ainda não tem as cabeceiras e a poltrona de leitura que eu quero, mas tem uma delícia de janela de um lado.

E um banheiro do outro.

E, nele, quadrinhos que falam um pouco da nossa vida por aqui.